terça-feira, 19 de janeiro de 2010

O COMEÇO




O começo do casamento é uma fase crucial. Decisões e atitudes tomadas neste começo podem afetar seriamente o destino deste matrimônio.



Mar de Rosas
O começo do casamento pode ser considerado ainda um namoro. Ninguém vê os defeitos de ninguém, ninguém se mostra incomodar com o jeito do outro. Ambos têm em mente “não incomodar”. “O que custa eu recolher a toalha de cima da cama?” ou “O que custa eu tirar do futebol e colocar na novela?” Nunca custa nada. E o casal mais parece dois figurantes de comercial de margarina: lindos e felizes.



Descobertas
Mas como paciência tem limites, o casal começa a deixar a névoa da paixão abaixar um pouco e começa a enxergar a realidade. A gargalhada dela deixa de ser esplendorosa para ser espalhafatosa e inconveniente. Deixar a tampinha do creme dental cair no ralo da pia já deixou de ser engraçado para ser falta de atenção e desleixo da parte dele. Cada um passa a se sentir mais a vontade com a presença do outro, e começa a, digamos, esquecer das boas maneiras de convivência que se tinha até o noivado. As palavras “obrigado” e “por favor” começam a ser extintas do vocabulário do casal. Ninguém mais pede nada, todo mundo manda. Ninguém tenta ser gentil, nem muito menos “sinestérgico”. “Amor você está mais gorda, hem?” ou “Ei, seu cavalo, deixa um pouco de lasanha pra mim”. Cada um que mostre seus dotes mais animalescos para o outro. Começamos a conhecer a outra face do cônjuge a até começamos a nos abismar com tamanha discrepância. Quem antes trazia flores toda sexta à noite, hoje trás cinco latas de cerveja e um aviso: “Ei, domingo tem pelada, viu? Não esqueça de deixar aquele meu meião lavado.” Quem todo fim de semana preparava maravilhosos quitutes para receber o noivo, hoje dispara “Estou logo avisando que esse fim de semana eu não vou cozinhar, viu? Não sou sua empregada. Vamos almoçar fora.” A delicadeza começa a ser posta a prova neste momento.



A convivência
Depois das descobertas cada um pode ficar meio sem jeito ou até chocado com o que está se deparando. E isso pode gerar conflitos, o que até pode ser benéfico, mas também pode gerar a monotonia e a rotina. Às vezes não se expor às áreas de conflito e ir “acumulando” desapontamentos pode trazer um fardo enorme para o casamento. Depois de quarenta e oito tampinhas de creme dental indo embora no ralo da pia, ela pode dar um tiro na cabeça dele, e o coitado nem desconfiar do motivo, pois ela nunca reclamou das tampinhas que desapareciam! Ou num belo dia ele dar um “fora homérico” nela por causa da risada espalhafatosa - no meio do restaurante, na frente de amigos. Mesmo ela nunca imaginando que ele não gostasse da sua risada. Às vezes conflitos adiados geram uma bola de neve que pode explodir um dia, ou apenas ir ficando pesada, pesada e virar silêncio, frieza e distância.



Adaptações
É neste meio de inconformações que o casal que se importa com o relacionamento começa a criar artifícios para fazer com que a convivência se torne ao menos suportável. Se ele sempre derruba a tampa do creme dental no ralo, ela começa a comprar daqueles cremes que vem com tampinha fixa. Se ela ri alto demais ele deixa de falar coisas engraçadas em público e tenta controlar as risadas dela. São pequenos ajustes que consciente ou inconscientemente cada um vai fazendo para que não haja tantos desacordos e atritos. Se domingo é dia de pelada, ela agora faz um curso de violão neste dia. Se ela não quer cozinhar nos fins de semana, ele se antecipa e pede comida chinesa, ou até vai com toda sua masculinidade e virilidade para a cozinha preparar um delicioso almoço, porque não? A idéia é evitar conflitos.

2 revelações:

Lucio Gury disse...

expert em casamentos agora tbm, dreycka? ahsudhas... rs , gostei! =D

dany disse...

Dreycka, essa foi a melhor descrição de casamento que já li.
Perfect!!!

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